Procurar

Categorias

Mais recente

Destaques

Como escolher um psicólogo?

O que realmente importa nessa decisão (e o que talvez importe menos)

Leitura estimada: 7 minutos

Se você está lendo este texto, talvez já tenha dado o passo mais importante de todos: reconhecer que precisa de apoio.

E isso merece ser dito desde o início: buscar ajuda psicológica não é sinal de fraqueza. Pelo contrário. É um gesto de consciência sobre os próprios limites, coragem diante das dificuldades e, acima de tudo, cuidado consigo mesmo.

Mas, depois dessa decisão, costuma surgir uma nova dúvida:

Como escolher o psicólogo certo?

Qual abordagem escolher?
É melhor homem ou mulher?
Não seria importante alguém especialista no meu problema?
Mas, antes disso… qual é exatamente a minha demanda?

Se essas perguntas já passaram pela sua cabeça, pode ficar tranquilo(a). Você não está sozinho(a) nisso.

Neste texto, quero te ajudar a compreender o que realmente vale a pena considerar na hora de escolher um psicólogo — e o que talvez tenha menos importância do que parece.

O principal critério: confiança e conforto

Vou começar sendo bastante direto:

Escolha um profissional em quem você confie e com quem se sinta confortável.

Se possível, construa essa percepção em uma sessão inicial.

Pode parecer uma resposta simples demais, mas a verdade é que muitos dos fatores que costumam gerar ansiedade nessa escolha se tornam secundários quando pensamos no elemento mais importante da psicoterapia: a relação terapêutica.

A terapia acontece no encontro entre duas pessoas. E, para que esse espaço seja frutífero, a confiança, a segurança e a abertura emocional costumam ter muito mais peso do que classificações técnicas isoladas.

Mas calma, vamos aprofundar melhor nessa perspectiva.

Antes de tudo: verifique a formação e a postura profissional

Um bom ponto de partida é observar o registro profissional e a formação acadêmica do psicólogo.

Busque compreender quem é esse profissional e como ele se apresenta ao público. Prefira profissionais que se posicionam de forma clara, ética e responsável.

E aqui vale um sinal de alerta: desconfie de promessas milagrosas.

Psicoterapia não é fórmula pronta, nem algo que possa ser garantido em “X sessões”. Também é importante manter certo cuidado com discursos excessivamente sedutores sobre métodos “revolucionários” ou soluções rápidas para questões complexas.

A clínica psicológica envolve subjetividade, tempo e singularidade. Um profissional ético reconhece isso.

Afinal, a abordagem psicológica importa?

Essa talvez seja uma das maiores dúvidas de quem procura terapia.

TCC? Psicanálise? Humanista? Gestalt? Existencial?

A resposta curta é: sim, a abordagem tem sua importância — mas provavelmente menos do que você imagina.

Quando você encontra um profissional ético, competente e com quem consegue estabelecer vínculo, algo potencialmente transformador já começa a surgir, independentemente da linha teórica.

E se aquele espaço não estiver sendo produtivo para você, um bom psicólogo saberá reconhecer isso e, quando necessário, indicar outro caminho ou profissional.

Agora, vou te contar um pequeno “bastidor” sobre esse debate entre abordagens.

Muitas vezes, terapeutas engajados em uma linha teórica conhecem com pouca profundidade as demais abordagens. Isso também acontece porque nenhuma graduação consegue abarcar completamente todas as teorias psicológicas.

Frequentemente, o conhecimento dos próprios psicólogos sobre as linhas alheias acaba sendo formado por livros introdutórios, matérias acadêmicas e interpretações de terceiros.

Por isso, embora seja válido ter preferências, você não precisa dominar teoricamente as abordagens psicológicas para encontrar um bom psicólogo.

Mais importante do que decorar diferenças entre escolas teóricas é perceber:

Você se sente compreendido(a)? Há confiança? Existe espaço para falar de si?

Essas perguntas costumam dizer muito.

Psicólogo homem ou mulher faz diferença?

Em alguns casos, sim — mas principalmente pela forma como você se sente.

Pode acontecer de alguém se sentir mais confortável com um psicólogo homem, mulher ou de determinado perfil. E isso é totalmente legítimo.

A questão é entender que essa escolha costuma estar muito mais relacionada ao seu conforto subjetivo do que a uma suposta capacidade maior de compreensão.

Terapeutas do mesmo gênero, orientação sexual ou vivência social não necessariamente compreenderão você melhor apenas por essa semelhança.

Ser homem ou mulher, hétero ou homoafetivo, branco ou negro possui sentidos profundamente singulares para cada pessoa.

Uma escuta qualificada não se sustenta no quanto o profissional se parece com você, mas na capacidade do mesmo de compreender a sua perspectiva e experiência de vida.

Claro, uma visão social crítica e sensível às diferenças é parte importante do trabalho clínico. Mas isso é obrigatoriedade, não condição identificativa. 

Em resumo: se o gênero do terapeuta for importante para você, leve isso em consideração. Mas entenda que essa escolha fala mais sobre o seu conforto do que sobre a competência do profissional.

E sobre procurar um especialista no meu problema?

A mesma lógica vale aqui.

Muitas pessoas procuram alguém especializado em ansiedade, depressão, relacionamentos ou autoestima — e isso pode fazer sentido em alguns casos.

Mas há algo importante de compreender:

Embora os sintomas possam parecer semelhantes, a forma como cada pessoa vive seu sofrimento é única.

Diferente de uma dor no estômago, experiências emocionais não seguem uma lógica causal totalmente padronizada.

A ansiedade de Maria não é igual à ansiedade João. Talvez, inclusive, o motivo do João ficar ansioso fosse fonte de alívio para a ansiedade da Maria.

Por isso, um bom processo terapêutico costuma olhar menos para o rótulo do sintoma e mais para como aquela experiência existe na sua vida, na sua história e nos seus afetos.

Em resumo: como escolher um bom psicólogo?

Se eu pudesse resumir tudo em poucos pontos, diria:

  • Verifique formação e registro profissional;
  • Observe a postura ética e a forma como o profissional se comunica;
  • Não se prenda excessivamente à abordagem teórica;
  • Considere suas preferências pessoais (como gênero), mas sem tratá-las como regra absoluta;
  • E, principalmente: escolha alguém com quem você consiga construir confiança e se sentir à vontade.

No fim das contas, a psicoterapia é uma relação. E relações terapêuticas férteis costumam nascer justamente nesse espaço de segurança, acolhimento e abertura.

Espero que este texto tenha ajudado a tornar essa escolha um pouco mais clara.

Encontrar um psicólogo é, antes de tudo, encontrar um espaço onde você possa falar de si de forma aberta e segura.

E, se você sentir que minha forma de compreender a psicoterapia conversa com o que procura neste momento, será um prazer acolher sua história e caminhar com você nesse processo.

Psicólogo João Paulo Messtermann
CRP-19/4715

[Psicoterapia online para adultos]